Edpo Augusto Ferreira Macedo

Acervo de precedentes qualificados

Informativo 896

Processo em segredo de justiça

SJSTJJulgado

Tese firmada

Diante da formação de vínculos socioafetivos, é possível a manutenção da criança sob a guarda provisória de família acolhedora, mesmo após o seu descadastramento voluntário do Programa Família Acolhedora, até o julgamento final da ação de destituição do poder familiar, medida que melhor atende aos interesses do adotando.

Percurso decisório

Fluxograma: Processo em segredo de justiçaSimNãoSimNãoControvérsia Jurídica:Manutenção da guardaprovisória de infantescom ex-famíliaacolhedora até odesfecho da ação dedestituição do poderfamiliarDiretriz Jurisprudencial doSTJ: Princípio do MelhorInteresse eExcepcionalidade doAcolhimento InstitucionalExiste situação concretade risco ou violência àintegridade física/psíquicados infantes?DeterminaçãoExcepcional deAcolhimento InstitucionalAvaliação do ContextoFático e VínculosEstabelecidosHistórico de MúltiplasRupturas: Idas e vindasentre lar materno, abrigoe acolhimento familiarVínculo SocioafetivoConsolidado: Convivênciasuperior a dois anos emambiente seguro eprotetivoDescadastramento Formaldo Programa FamíliaAcolhedora:Irregularidade cadastralsuperada pelo bem-estardos infantesA manutenção sob aguarda de fato preserva aintegridade e evita novosofrimento psíquico?Conclusão/Decisão:Manutenção dos infantessob guarda provisória dafamília acolhedora até ojulgamento da destituiçãodo poder familiarCláusula Rebus SicStantibus: Ressalvadareapreciação judicial casoocorra alteraçãosubstancial supervenienteda situação fática
Descrição em texto
DeParaCondição
Controvérsia Jurídica: Manutenção da guarda provisória de infantes com ex-família acolhedora até o desfecho da ação de destituição do poder familiarDiretriz Jurisprudencial do STJ: Princípio do Melhor Interesse e Excepcionalidade do Acolhimento Institucionalsem condição
Diretriz Jurisprudencial do STJ: Princípio do Melhor Interesse e Excepcionalidade do Acolhimento InstitucionalExiste situação concreta de risco ou violência à integridade física/psíquica dos infantes?sem condição
Existe situação concreta de risco ou violência à integridade física/psíquica dos infantes?Determinação Excepcional de Acolhimento InstitucionalSim
Existe situação concreta de risco ou violência à integridade física/psíquica dos infantes?Avaliação do Contexto Fático e Vínculos EstabelecidosNão
Avaliação do Contexto Fático e Vínculos EstabelecidosHistórico de Múltiplas Rupturas: Idas e vindas entre lar materno, abrigo e acolhimento familiarsem condição
Avaliação do Contexto Fático e Vínculos EstabelecidosVínculo Socioafetivo Consolidado: Convivência superior a dois anos em ambiente seguro e protetivosem condição
Avaliação do Contexto Fático e Vínculos EstabelecidosDescadastramento Formal do Programa Família Acolhedora: Irregularidade cadastral superada pelo bem-estar dos infantessem condição
Histórico de Múltiplas Rupturas: Idas e vindas entre lar materno, abrigo e acolhimento familiarA manutenção sob a guarda de fato preserva a integridade e evita novo sofrimento psíquico?sem condição
Vínculo Socioafetivo Consolidado: Convivência superior a dois anos em ambiente seguro e protetivoA manutenção sob a guarda de fato preserva a integridade e evita novo sofrimento psíquico?sem condição
Descadastramento Formal do Programa Família Acolhedora: Irregularidade cadastral superada pelo bem-estar dos infantesA manutenção sob a guarda de fato preserva a integridade e evita novo sofrimento psíquico?sem condição
A manutenção sob a guarda de fato preserva a integridade e evita novo sofrimento psíquico?Conclusão/Decisão: Manutenção dos infantes sob guarda provisória da família acolhedora até o julgamento da destituição do poder familiarSim
A manutenção sob a guarda de fato preserva a integridade e evita novo sofrimento psíquico?Determinação Excepcional de Acolhimento InstitucionalNão
Conclusão/Decisão: Manutenção dos infantes sob guarda provisória da família acolhedora até o julgamento da destituição do poder familiarCláusula Rebus Sic Stantibus: Ressalvada reapreciação judicial caso ocorra alteração substancial superveniente da situação fáticasem condição
Código do fluxograma
flowchart TD
    %% Nós do Fluxograma
    A["Controvérsia Jurídica: Manutenção da guarda provisória de infantes com ex-família acolhedora até o desfecho da ação de destituição do poder familiar"]
    
    B["Diretriz Jurisprudencial do STJ: Princípio do Melhor Interesse e Excepcionalidade do Acolhimento Institucional"]
    
    C{"Existe situação concreta de risco ou violência à integridade física/psíquica dos infantes?"}
    
    D["Determinação Excepcional de Acolhimento Institucional"]
    
    E["Avaliação do Contexto Fático e Vínculos Estabelecidos"]
    
    F["Histórico de Múltiplas Rupturas: Idas e vindas entre lar materno, abrigo e acolhimento familiar"]
    G["Vínculo Socioafetivo Consolidado: Convivência superior a dois anos em ambiente seguro e protetivo"]
    H["Descadastramento Formal do Programa Família Acolhedora: Irregularidade cadastral superada pelo bem-estar dos infantes"]
    
    I{"A manutenção sob a guarda de fato preserva a integridade e evita novo sofrimento psíquico?"}
    
    J["Conclusão/Decisão: Manutenção dos infantes sob guarda provisória da família acolhedora até o julgamento da destituição do poder familiar"]
    
    K["Cláusula Rebus Sic Stantibus: Ressalvada reapreciação judicial caso ocorra alteração substancial superveniente da situação fática"]

    %% Conexões do Fluxo
    A --> B
    B --> C
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    C -- Não --> E
    E --> F
    E --> G
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    %% Estilização Mermaid pura (sem HTML)
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    class A questao;
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Ficha do precedente

Processo paradigma
Processo em segredo de justiça
Relator
Min. nancy Andrighi
Órgão julgador
Terceira Turma
Data do julgamento
Fonte oficial
Inteiro teor no tribunal

Comentário

A controvérsia consiste em decidir acerca da possibilidade de manutenção dos infantes sob a guarda provisória de família acolhedora, mesmo após o seu descadastramento voluntário do Programa Família Acolhedora, até a conclusão da ação de destituição do poder familiar.

A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é uníssona no sentido de que acolhimento institucional é medida excepcional, somente justificável nas hipóteses em que haja efetivo risco à criança, mas não nas hipóteses em que apenas existam indícios de adoção à brasileira, burla ao cadastro nacional de adotantes e à ordem cronológica, situações em que deve ser privilegiada a manutenção do convívio familiar.

Deve-se sempre privilegiar a manutenção da criança na família guardiã, desde que se revele “ambiente seguro de acolhimento familiar, ainda que sob o regime de guarda de fato, a qual eventualmente poderá ser regularizada por meio da adoção, desde que, é claro, ela não esteja em uma situação concreta de risco” (HC 747318/RS, Terceira Turma, DJe 5/8/2022).

Na hipótese, conquanto a família acolhedora tenha solicitado o seu descadastramento do Programa Família Acolhedora, o que implicou o rompimento formal com a política pública de acolhimento, é igualmente relevante examinar e sopesar se a retirada das crianças do lar em que convivem é a medida que melhor atende aos seus interesses.

No caso, o conjunto probatório dá conta de que os infantes, em tenra idade, foram retirados do lar materno, colocados em família acolhedora, devolvidos ao lar materno, acolhidos institucionalmente e novamente colocados na família acolhedora. Repetir esse histórico de sucessivas rupturas de laços apenas implicaria sofrimento aos infantes.

Nesse contexto, sugere-se que já se formaram suficientes vínculos socioafetivos entre as impetrantes e os pacientes, que foram acolhidos pelas famílias acolhedoras em tenra idade e com elas permanecem por mais de dois anos, recebendo os cuidados necessários para o seu desenvolvimento sadio e seguro.

Assim, possível a manutenção dos infantes sob a guarda provisória das famílias impetrantes até o julgamento final de mérito da ação de destituição do poder familiar, ressalvada a reapreciação da guarda dos pacientes diante de eventual alteração substancial e superveniente da situação fática no curso da ação.

A orientação pela primazia do acolhimento familiar vem sendo seguida inclusive nas hipóteses específicas de adoção intuitu personae por adotantes não inscritos nos cadastros oficiais ou, ainda, diante da suspeita de fraude no registro de nascimento, reconhecendo-se a prevalência da análise do melhor interesse para o adotando. Busca-se preservar, sempre que possível, os laços afetivos formados com a família substituta, de modo a não comprometer sobremaneira o desenvolvimento saudável e a formação da personalidade da criança.

Como citar

BRASIL. STJ. Processo em segredo de justiça (Informativo 896). Relator: Min. nancy Andrighi. Brasília, DF, 4 ago. 2026. Disponível em: https://processo.stj.jus.br/jurisprudencia/. Acesso em: 16 ago. 2026.